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MARATONA PORTALEGRE 2006

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MARATONA PORTALEGRE

 

6 MAIO 2006

 

CRÓNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA (para o BTT)

 

Por Jorge MariaBolacha

 

Fotos by Ludos forumbtt.net

 

 

Eram 6H30 em Aldeia Velha quando o despertador tocou. Até achei estranho por não ter acordado sozinho. Nestas alturas acordo sempre sem despertador, provocado por alguma ansiedade.

 

Começou bem, pensei eu, dormi bem, estou bem disposto, estou mais que pronto para umas belas horas em cima da bicicleta.

 

Faço a barba, visto a bela licra e vou montar a bike no carro. Enquanto isso chega o Luis Multi-Rodas à Aldeia, vindo de Lisboa.

 

Depois dos beijos e abraços, tentamos colocar o suporte dele no meu carro. Não deu. Tentamos colocar o meu suporte no carro dele, também não deu. Conclusão, tivemos que levar os dois caros.

 

Fomos na brasa, porque já estávamos um pouco atrasados. Faltavam 80 kms e já eram 7H20. Apanhamos algum nevoeiro, o que nos levou a chegar a Portalegre às 8H16.

 

Um cenário indescritível. Milhares de bicicletas, muita cor e vida. Tiramos as bikes dos carros, metemos o camelo às costas e tiramos a foto da praxe.

 

Fomos para a meta de partida. À nossa frente já deveria estar 2000 baris.

 

Às 9 Horas em ponto foi dado o Tito de partida. Bonito de se ver. As ruas de Portalegre cheias de pessoas a baterem palmas e a incentivar os bttistas.

Ao fim de alguns metros já estávamos a subir.

Passamos pelo centro da cidade, onde a organização nos encaminhou para um quase single track o meio da cidade. Resultado, tudo a desmontar e fazer a subia a pé. Os primeiros já deviam estar nas antenas (21 kms).

 

Lá entramos nos trilhos. O ritmo era muito baixo, os trilhos tinham partes técnicas, o que levava era muita gente a andar. Eu e o luís lá tentávamos não desmontar, mas era praticamente impossível. Os primeiros 5 kms, foi praticamente um passeio pedestre. Quando apareceram as primeiras subidas, comecei a subir mais rapidamente que o Luis, esperando por ele no fim das subidas. Estava muito bem fisicamente. Acabei por fazer todas as subidas até ás antenas sem desmontar. As subidas as antenas achei muito fácil, sem problemas de maior, tirando o piso que eram muito técnico e estava muito duro. Várias vezes disse que aquilo parecia uma prova de Enduro Motocross. Reencontrei-me com o Luis no alto de S.Mamede, na ZA1.

Varias vezes pensei em fazer a minha maratona, visto que estava com mais “Pedal” que o Luís, mas sempre esperei por ele, visto que tínhamos combinado em fazermos os dois a maratona juntos.

 

Depois da Mega descida de 5 kms, começamos de novo a subir, o Luis começou a ficar para trás. Aos 30 kms, depois de rodarmos um pouco junto, ele disse para me ir embora. Entre os 30 e os 48 kms, o meu ritmo foi muito bom (para mim), chegando a rolar em médias de 15/17 kms.

 

A partir do 48 kms tudo foi diferente

 

Antes do abastecimento dos 50 kms, dá-me a primeira “picadela” no joelho direito.

Esta picadela, parece uma agulha a entrar pelo joelho a dentro, em que só me dói quando pedalo, quando faço outro desporto ou caminho, nunca me se manifestou.

Esta dor apareceu no GR22 há cerca de 1 mês atrás, nessa altura como pensei que era cansaço, nunca me preocupei muito.

 

Depois de me dar a primeira picadela, pensei que a dor iria passar com o tempo, mas não, a picadela era cada vez mais frequente. Para controlar a dor, acabei por me fatigar muito rapidamente do que estava à espera.

Aos 55 kms tive mesmo que parar e descansar. Nessa altura era 14H05 minutos. Deite-me muito sítio espectacular a dormir e aproveitei para esperar pelo Luis. Claro que dormir era impossível. Estava sempre a passar Bttistas a dizer que ali é que estava bem. Apareceu um Baril que conhecia dos trilhos de Sintra a pedir-me uma bomba. Depois de ele arranjar o furo (eram 14H30) e como o luís não aparecia, meti-me na Bike e apanhei boleia. Fiquei contente. A dor tinha desaparecido. Rodamos rapidamente durante alguns kms. Pedalei com amigos do BTT nesses kms. Viriato, João e o Lucas. Mas afinal a problema do joelho persistia, fique para trás com a dor a tornar-se cada vez mais constante.

A partir de dos 65 kms tudo acabou literalmente para mim. A dor passou a ser aguda a todo o momento. Fiz 5 kms desmontado até perto dos 70 kms onde estava uma ambulância. A única coisa que eles tinham era o milagroso spray. Só deu para os primeiros 20 metros. Até aos 75 kms onde estava outra ambulância fiz meio a pé (subidas), meio a andar em cima da bike (a descer, ou em recta). Quando estava a ser tratado na ambulância aparece o João Rechena (esse grande maluco). Grande festa e logo de seguida apareceu o Luís. Fiquei hiper contente, porque pensei que o Luís tinha desistido. Mais umas borrifadas de spray e estava pronto para continuar. Independentemente de como eu estava, só pensava em terminar a Maratona, nunca me passou pela ideia em desistir. Só que a partir daquele kms, já não conseguia andar, a dor apoderou-se de mim. Disse ao Luis e o Rech para prosseguirem. O Rech depois de alguma indecisão partiu. O Luis ficou comigo. Foi um autêntico sacrilégio chegar ao km 83 onde para mim tudo acabou. Era impossível continuar. Poderia colocar mesmo em risco o belo do joelho.

Por simpatia e por algum cansaço, para o Luís a maratona tinha a acabado ali.

Fomos “rebocados” até Portalegre, onde rapidamente tomamos banho, nos balneários do campo de futebol e fomos jantar.

 

Os balneários eram pequenos para tanta gente, mas o jantar estava bom.

 

Por volta das 19H30 deixamos Portalegre, o Luís partiu direito a Lisboa e eu foi para a Aldeia Velha.

 

Quando ia perto de Avis estava o carro abandonado na via de rodagem (sem ninguém) eu a armar-me em esperto, foi a GNR de Avis. Ao estacionar, ia partindo a Bike toda. Entre por uma laranjeira a dentro e esqueci-me completamente que tinha a bike em cima do carro. Resulta ramos partidos e um valente susto.

Quando ia a sair do carro para avisar a GNR deu-me duas Mega Cambraias que se deve ter ouvido no Japão. Fique estendido no meio do passeio aos berros e agarrado as pernas. Quando pensava que já estava bem e preparei-me para me levantar mais duas ainda piores que as primeiras. Resultado, a mulher da casa da frente pensava que me estava a dar uma coisa, foi chamar a GNR. Tem piada, eu que era para ir ter com a GNR, mas afinal foi ela que veio ter comigo. Quando ia me tentar levantar pela segunda vezes, mais uma mega cambraia na perna direita e ainda por cima levei com um ramos na carola que se tinha partido, quando passei com a bike na Laranjeira. Os GNR só se riam. Enfim ……

 

Depois de avisa-los (afinal já sabiam) foi direito à Aldeia.

Quando lá cheguei e olhei para a Bike vi com muita tristeza que me falta o DORSAL. Tinha-o perdido durante a viagem. Para mim o Dorsal é muito importante.

É o símbolo daquele dia. Fiquei mesmo aborrecido.

Conclusão:

 

Para mim tudo passa por um objectivo. Quer seja conquistar 20 cm ou 100 kms é para fazer.

Quando não o faço, parece fica a faltar qualquer coisa. Fico com a cena atravessada na garganta.

É essa sensação que fiquei ao sair de Portalegre.

Apesar de estar muito bem fisicamente para fazer a Maratona em menos de 7 horas, não a consegui fazer por problemas físicos. Mas como disse o Luís, mais vale parar agora e recuperares num mês, do que continuares e deixares de andar durante muitos meses.

 

O percurso dos 100 kms era muito acessível, mesmo a subida às antenas não era muito difícil.

O trajecto era bonito, mas já andei em sítios mais espectaculares naquela zona.

O piso estava muito duro e com muita pedra.  

Os reabastecimentos eram razoáveis

A assistência médica era muito boa, apesar de ter pedido um Ozonol, não tinham nada, só Spray.

A GNR esteve impecável.

A assistência transporte, esteve espectacular.

 

Foi uma boa maratona, bem organizada, em que estarei lá de certo pro ano para me vingar do que aconteceu este ano, apesar de ter dito as duas frases míticas mais de 100 vezes.

 

“O QUE É QUE ESTOU AQUI A FAZER”

 

“JÀ ESTOU SATISFEITO”

 

PS: Vou ao médico às 16 horas. Vamos ver o que isto vai dar.