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MegaTour 2007

4ªEtapa














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Dia 4
Praia da Galé (Comporta) - Aldeia Velha

4 de Novembro

Tipo de etapa: Plana 
232.1 Kms
42.5 km/h Média
Total Movimento: 4:58:09
Tempo Total: 8:40:08

 

 

Depois de uma noite perfeita em termos de sono, em que não tivemos nenhum ataque cardíaco com os aventureiros que dormiam na Casinha de Madeira, acordamos já um pouco aborrecidos, só de pensar que seria o ultimo dia da MegaTour.

 

Desde já dizemos que foi o dia mais “limpo”, mais constante, menos problemático, mais rápido e mais rolante, de todos.

 

Ainda as Galinhas estavam a dormir, já os Raiders estavam prontos para um Mega Pequeno-Almoço. Ainda era o material tinha sido deixado pelo André em Messines. O Pão Bimbo, o queijo e o fiambre, já tinham feito 900 kms. Imaginem o seu estado.

 

Mas nós como Porcos Selvagens amestrados, não facilitamos. Quando estamos com fome e não existem cafés abertos para comer, tudo o que vier à rede é bem-vindo.

 

Sabíamos que só iríamos encontrar comida a 40 quilómetros da Praia da Galé, por isso mesmo o melhor era comer o material rançoso.

 

Ainda a noite se fazia sentir, já as motas estavam a trabalhar na entrada do parque campismo. Como no nosso Track estava definido que a rota era por estrada até Tróia, e sabíamos que existia uma estradão enorme cheio de dunas, até ao Ferry, perguntamos na noite anterior ao baril da recepção do parque, como conseguíamos chegar ao Gasoduto.

 

Depois de andar quatro quilómetros, num estradão cheio de pó, viramos à esquerda e ali estava o que todos tínhamos sonhado. O Gasoduto.

Já o tínhamos visto em varias fotografias, mas ao vivo é uma sensação muito diferente. Sentiam-mos minúsculos envolvidos naquela paisagem.

 

Os olhos do Tiago, Nuno e o Luís, brilharam e rapidamente lançaram-se ao “doce”. Helder e o Jorge, torceram um pouco o nariz. A razão é simples, enquanto as três primeiras motas papavam o grandioso trilho do Gasodouto, as duas ultima tinham alguma dificuldade em vencer a areia solta. Mas foi mesmo brutal. São quilómetros a perder de vista. Sempre a direito, com algum sobe e desce.

 

No meio do Gasoduto o Tiago mandou uma trancada num psedo buraco, vergando uma parte da sua jante. O rapaz ficou tão preocupado que queria ir a um domingo ao concessionário Yamaha de Setúbal. Esqueceu-se é que estavam todos na missa àquela hora.

 

Existem sensações que só vividas é que dá para ver a importância que elas tem. Depois de muitos dias, muitas horas, muitos minutos, sem ver praticamente ninguém nos trilhos, andar isolado pelo mundo, o chegar com as motas ao Ferry, coloca-las lá dentro e partir numa viagem de barco, é uma sensação incrivelmente indescritível.

 

É com acabasse-mos de andar perdidos e voltasse-mos a casa. Penso que naquela altura nos sentíamos bastante mais confortáveis.

 

Apesar de termos andado em terras mágicas e locais que lembra o paraíso, sentíamos sempre a sensação de estarmos longe de protecção. Mas é ser essa sensação que nos faz saltar da casa e partir à descoberta.

 

As motas alinhadas no Ferry, fez lembrar imagens do grande Dakar.

A verdade que fizemos um Dakar Nacional, sem qualquer apoio, quer financeiro, quer em assistência mecânica ou logística.

 

Enquanto o vento fresco nos batia na cara, as nossas línguas libertavam toda a adrenalina produzida naqueles dias anteriores. Ainda estávamos a 150 quilómetros da conquista da MegaTour, já se falava em novas conquistas.

Comparava-se os Piratas, aos Porcos Selvagens. As conquistas de ambos e que realmente representavam.

 

Depois de viajarmos no tempo e exprimirmos o que mais sabíamos sobre piratas e a conquista do Sado pelos mesmos, acabados por atracar em Setúbal.

 

Todos os olhos dos passageiros estavam virados para nós. Achamos que era mais pelo aspecto. Depois de quatro dias com a mesma roupa, sem barba por fazer, apoderados de lama até à pontas dos cabelos, mas com um largo sorriso, não ficávamos indiferentes.

 

A primeira operação a fazer em Setúbal foi abastecer as Motas. Rapidamente rodamos até Palmela. A partir daqui o Track já tinha sido testado e verificamos que é realmente bem diferente andar onde já tínhamos conhecimento mais ou menos onde iríamos passar.

 

A disciplina foi muito maior e aproveitamos muito melhor para gerir o tempo.

Tínhamos duas grandes preocupações. Uma era a travessia de uma ponte onde não sabíamos se as motas iriam passar, outro problema era uma portão fechado a cadeado.

Não tivemos problemas nas duas questões, provocando uma onda de alegria no grupo.

 

 

Os trilhos a seguir a Palmela, são bastante rápidos, rolantes e não técnicos. Existia mesmo partes que andávamos quilómetros sem termos curvas. É uma parte do Track para descontrair e aproveitar para ganhar tempo. Como sabíamos que estávamos dentro do tempo nesta etapa (o que não aconteceu nas outras etapas), resolvemos parar para beber o cafezinho da praxe e estar um pouco na conversa.

 

De repente Helder e o Luís desapareceram para trás do Café. Sinceramente não estranhamos. Depois de duas noites dormidas bem juntinhos, já nada é de espantar.

 

Estávamos a chegar a Pegões, e ante disso o Jorge pediu ao Luís para experimentar a Predador. Ouviu-se logo elogios. “que confortável”, “que potencia”. “que espectáculo”.

A mota é mesmo fixe. Grande potencia, muito conforto, muito segura e o mais que impressionou na mota foi o consumo. De todas era a que consumia menos, queremos dizer, muito menos.

 

Em Pegões fomos atentar as motas e depois começaram os trilhos realmente espectaculares.

Numa primeira fase, um trilho junto à linha de comboio e depois os brutais  trilhos de Canha.

 

Estávamos nós a circular a bom ritmo quando nos apercebemos de 3 Bttistras. Jorge pensou. “estamos em Canha, talvez o Vasco ande por cá”. E não é que dos três Bttistas, o Vasco era um deles?.

Quase o manda-mos para o Chão e a festa a seguir foi de arromba.

 

Depois do primeiro impacto de espanto, a conversa fluiu à volta de Bikes e Motas, até que tivemos que dizer adeus e continuarmos as nossas viagens.

 

Estávamos a andar muito bem. Disciplinados e consistentes. A verdade é que a qualidade dos trilhos ajudavam muito.

 

Santana do Mato era o objectivo para o almoço. Chegamos lá por volta da 13H15 e procuramos a bela da bifana. Depois de batermos à porta de dois café, acabamos por ir ao fundo da aldeia comer.

 

Ficamos na esplanada a sentir o maravilhoso sol que se fazia sentir. Jorge foi pedir o almoço e quando sai cá para for vinha com os olhos fora de orbita. “tem cá uns airbags” e não disse mais nada, deslocando-se rapidamente para perto de um sobreiro.

Helder, não se fez de esquisito e foi ver o material. Nunca mais apareceu. Deve ter ficado na casa de banho durante horas. A verdade é que a Kosovar era brutal.

 

As bifanas estavam óptimas. Foram regadas pelo melhor vinho da região. Cola-Cola de seu nome. Depois de longos minutos a saborear o Sol com conversas da treta pelo meio, resolvemos pegar nas burras e efectuar um estradão até ao Couço na bisga.

 

É mesmo um estradão. Bem largo e com piso do melhor. Rapidamente chegamos ao Couço. Couço é a capital do TT. Depois de abastecermos, entramos nos melhores trilhos do Track. Um sobe e desce constante, no meio de curva e contra curvas. Brutal a sensação de deslize e slide.

 

Passamos por algumas colmeias e aproveitamos para dar mais gás. Já devem ter reparado que não existiram paragens para reparações. Este dia foi de curte ao máximo, sem stress.

 

Com a chegada da Barragem de Montargil, a etapa estava praticamente no fim. Faltavam 25 quilómetros para o seu termo.

 

Alguns dos Raiders, como estavam já com depressão pós MegaTour, pegaram nas motas que nem uns malucos alucinados e entraram com as mesmas pela barragem dentro. Passaram-se da cabeça e pensaram que a mota se tinha transformado e Mota de agua. Até aquele momento ninguém se tinha molhar em poças ou rios durante a MegaTour, mas existiram Riders que saíram da Barragem completamente ensopados. Foram belos momentos para mais tarde recordar.

 

Já se sentia o cheiro da Aldeia Velha. Os últimos trilhos de sonho apresentavam-se aos Raiders de forma despedida.

 

A passagem nos Foros do Mocho, na N.Srª da Arrabaça e por fim na placa que anunciava a Aldeia Velha, foram o pronuncio de despedida do concretizar de um sonho.

 

Na placa de AldeiaVelha, aproveitamos e fizemos uma sessão fotográfica.

 

Agora todo o nosso pensamento era chegar ao Largo da Aldeia e gritar ….. “VITORIA”

 

Chegamos ao Largo e não estava viva alma. Depois dos beijos e abraços entre os participantes, era hora de comemorar.

 

Nada melhor para comemorar como beber umas minis no Cabo Corvo. Não foram um, nem duas, nem três, foram muitas, com muitos brindes.

 

Enquanto estávamos a recordar, vários amigos foram-se chegando. As conversas/recordações sobre a MegaTour foram tantas que as horas foram passando sem ninguém se apercebeu.

 

Se nos deixassem teríamos ficado ali para sempre a recordar todo o esplendor que a MegaTour nos fez sentir.