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MegaTour 2007

1ªEtapa














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1ª Etapa

1 de Novembro 2007

Aldeia Velha – Mertola

Tipo de Etapa: Plana

Kms: 377.3 kms
Media. 38.2 km/h 
Total Movimento: 8:58:54
Tempo Total: 15:12:16

 

O despertador tocou e o corpo saltou tipo elástico.

Era 4 da manhã e já o corpo reagia ao movimento provocados por um cérebro completamente absorvido pela aventura do ano.

Depois da mijadela da praxe, do pequeno-almoço ambulante e do vestimento das cerolas brancas, a motas começaram a trabalhar numa noite completamente escura.

 

Saímos da Aldeia Velha às 16H45 directamente ao Monte do Crista. Era nesse monte cheio de ovelhas loucas e com língua azul, que o encontro estava marcado.

Os irmãos Fernandes lá estavam à nossa espera. Nunca falharam, o que não se pode dizer das suas motas (mas isso é outra historia).

Estavam à partida os 6 cromos mais procurados do Oeste Alentejano.

Jorge, Nuno, Luís, Helder, André e Tiago estavam mais que preparado para o que seriam 4 dias de grandes aventuras e descobertas.

 

Os motores começaram a cortar o escuro da noite. O frio entranhava-se no corpo.

A ansiedade era tanta mas nada nos faria voltar para trás.

Os primeiros quilómetros foram feitos em trilhos já conhecidos. Um espectacular curva contra curva e o já famoso sobre e desce, levaram os até à barragem de Montargil. Subimos em direcção ao estradão que liga a Aldeia até Foros do Mocho. A meio do estradão metemos por um trilho maravilhoso que os conduziu até ao Açude do Gameiro.

 

A partir deste waypoint tudo seria novo.

Os trilhos continuavam rolantes. A noite ainda continuava bem escura.

Começaram os problemas. Começaram aparecer portões de 300 em 300 metros. Foram de facto os portões e alguns tracks que desenhados que nos fez perder muito tempo durante esta etapa.

 

Já de dia chegamos a uma barragem espectacular, onde não conseguimos prosseguir. Os caminhos estavam fechados e tivemos que voltar para trás.

Aconteceu o primeiro encontro de 3ºgrau do dia. Acabamos por ser parados por caçadores alucinados e fanáticos. Um velhote de 80 anos quase nos saltou em cima a pedir explicações porque andavamos aquelas horas da manhã numa reserva de pombos. Nós disseram que andávamos a espanta-los. Claro que não dissemos isso, mas foi a essa a vontade. Diplomaticamente dissemos que andavamos um pouco perdidos e que só andavamos por caminhos principais. Os caçadores são mesmo fanáticos e só pensam neles. Não tem visão periférica (peço desculpa ao que tem). 

 

Depois de 26300 paragens para abrir e fechar portões, apareceu o primeiro problema numa mota. O suporte caseiro do Luís, perdeu 2 parafusos e começou a ceder. Mais 30 minutos de paragens, numa zona espectacular. Passamos alguns Bttistas de Montemor a rasgar. Um dos baris só tinha Scott Spark no valor de 4.000 euros. Depois de umas marteladas e fitas de aperto lá partimos. Tirando a parte das cercas, os trilhos eram brutais. Tecnicamente era de baixo nível e para acelerar era do melhor.

 

De vez em quando tínhamos encontros amorosos com vacas das boas. Elas estavam a atacar em vários sítios durante o Track da 1ªetapa.

O Toureiro André sempre foi o que atacou as vacas de frente. O homem com mais experiencia em vacas, Helder, não sei se foi por falta de viagra, sempre se deixou para ultimo e varias vezes tentou mesmo fugir.

Acreditem que as vacas eram parecidas como aqueles bois das touradas. Boazonas e com uns grandes cornos aguçados.

Vivemos momentos de grande tensão. Varias vezes ficamos eles (tubaros) bem mirradinhos.

 

O almoço foi num maravilhoso sitio, com vista para a barragem do Alvito.

A aldeia chamava-se Viana do Alentejo.

Ficamos surpreendidos com a menina que nos atendeu. “ alguém pediu Vaca para o Almoço?” e quando trouxe a vaca disse “para quem é a Vaca?”. Metade dos Raiders foram-se logo esfregar numa Oliveira que existia no quintal do Restaurante.

Foi o sitio mais espectacular onde almoçamos

 

Tambem encontramos uma Cabra com trauma Psico Marada da carola com tendencias suicidas. Ia a correr à frente das motas e de repente apontava para as cercas e pimba. Estão a ver os Flippers? Era igual a bola a bater e a retrocer. Granda maluca. Ficamos a saber que a familia da dita cabra sofrem do mesmo mal. Neste momento estão internadas no Hospital para Psico Cabras Suicidas.

 

O Track passava no Intermarche de Beja e foi ai que o Luís conseguiu uns parafusos e resolveu o problema do suporte.

Os trilhos mudaram radicalmente de Beja a Évora. Passaram de trilhos tipicamente norte alentejanos, para trilhos muito, muito rolantes, quase sempre a direito e sem muita vegetação ou arvores. De Beja a Évora foi relativamente rápido, apesar de pararmos bastantes vezes para coçar a micose, ou fumar um charuto, ou dançar a nova musica dos Bolachez.

 

As horas passavam e o prazer de andar de mota era brutal. Torna-se muito viciante. Quanto mais se anda mais se quer continuar.

Os quilómetros iam sendo conquistado em plena planície alentejana, até que algum gritou “tenho um furo”. O único furo da MegaTour pertenceu ao Helder.

Sorte do baril que furou logo à saída de uma poça. Já estávamos naqueles 10 minutos do corpúsculo. A agua da poça ajudou a descobrir o furo. O Jorge agarrou na broca e preparou a operação. Passados 3 minutos o assunto estava resolvido.

 

A noite começou a cair, mas a motivação estava em alta. Queríam fazer tudo por trilhos. Sabiamos que tinhamos uma noite longa pela frente.

De Évora a Serpa, os trilhos era um misto de estradões com trilhos técnicos. Muito fixe.

 

Já perto de Serpa, aconteceu o que não tinha que acontecer. O Track entrava em zonas que não tinha trilho. Bem tentamos encontrar o Track, mas batia sempre em trilhos fechados. Como cada vez era mais tarde e estava cada vez mais frio e o corpo já gritava de dores, democraticamente resolvemos fazer 51 kms por estrada até Mértola. Foi o mais correcto.

 

Mas não pensem que foi fácil. Porque é muito, muito desgastante circular em estrada com uma moto de mato. Apesar de ter sido mais rápido do que andar nos trilhos, doeu.

Acabamos por chegar pela noite dentro, mas muito felizes por termos acabo todos a primeira etapa ao fim de 16 horas a andar de mota.

 

Todos tinham a mesma opinião. Tirando os portões, os caçadores e os enganos nos tracks desenhados, tinha sido uma etapa fabulática.

A Residencial era muito fixe. Ficamos em 3 quartos. O Luís dormiu sozinho. Os Irmãos Fernandes dormiram noutro quarto. O Hélder, Nuno e Jorge dormiram juntos num outro quarto.

 

Depois do tão aguardado banho, fomos jantar ao restaurante mais barato da zona. Bitoque para todos. Bitoque que se tornou o prato mítico da MegaTour.

Depois de muita risota a pestana começou a piscar e toca a regressar à Residencial.

 

Uns caíram que nem pedras na cama, outros tiveram que gramar o ressoar dos “animais” que estavam no mesmo quarto.

Mas quando adormeceram, os sonhos que tiveram nessa noite eram azuis, cheios de felicidade e alegria. Nesse preciso momento os sonhos tinham passado a realidade. Estávamos mesmo no meio da MegaTour.